Depois de uma hora de viagem, desembarcamos no aeroporto da capital Quito para mais uma maratona de três shows pelo país (Quito, Ambato e Guayaquil). Ao desembarcar, avistamos bem de longe o promotor Willi segurando um cartaz enorme com o nome Confronto bem grande. Aquele era o cartaz oficial do show que estava espalhado por toda capital Equatoriana. Também estavam por lá a imprensa de um jornal chamado Ultimas Notícias, onde fizemos uma entrevista de meia hora ali mesmo no estacionamento do Aeroporto Internacional. Saindo dali, o promotor nos falou que iríamos para uma fazenda, a cerca e duas horas da capital para descansar por uns 3 dias até a sexta-feira dia 7 de abril, quando seria o primeiro show da turnê naquele país. Os instrumentos foram no carro de Gustavo (dono da fazenda), que também estava lá, assim como Miguel e Pato. Nós fomos juntos a Willi, numa caminhonete tipo as S10´s que tem aqui no Brasil. Depois de umas duas horas e meia de viagem, me assustei ao ver que tinha acabado o asfalto há algum tempo e estávamos andando em plena lama numa estrada estreita e escura por mais de meia hora. Sempre nos perguntávamos – nunca chega esse lugar? E para piorar, em um determinado trecho, era impossível prosseguir no carro do promotor, onde, todos nós descemos e entramos no jipe de Gustavo. Por mais uns vinte minutos subindo uma montanha, sem nenhuma iluminação e nenhuma possibilidade de voltar, chegamos na fazenda do Gustavo, Mônica (esposa) e Joel, seu filho de 3 anos que, pasmem, é excelente baterista e, claro, muito levado. Incrível que naquele lugar, pela primeira vez em toda turnê, podemos descansar e comer comida caseira. Foram dias maravilhosos. Com muita comida vegan, DVD’s, CD’s, livros, passeios pela terra e tudo que tem direito… Gustavo (vocalista da banda Descomunal) foi roadie do Earth Crisis no Rock el Parque na Colômbia e parceiro dos caras na época que morou nos EUA. Entre muitas histórias dos shows da cena norte-americana e Equatoriana, também aprendi um pouco sobre os indígenas, os povos que ali habitavam, os problemas locais, o contato e uso da terra e a sobrevivência das enormes famílias, aprendi um pouco sobre a pequena distância da fronteira com o sul da Colômbia que era perto dali, das Farc´s EP, que dominavam aquela região, das outros guerrilhas que ali existiam, da devastação das tentativas das guerrilhas indígenas no Equador, da lavagem de dinheiro que a Colômbia fazia no Equador, investindo seus “dólares” em imóveis, enfim, aprendi muita coisa sobre um mundo que sempre me despertou interesse. E estar ali ouvindo aquelas coisas de pessoas próximas e que viviam tudo que contavam era bem melhor do que ler em livros ou na internet…